(Foto de Albert Panin)
Dormia ainda a manhã
fechei a porta
sem alarde
parti
levei na memória a cor
vermelha da terra
e do sangue no verdejante capim
encarnada do jindungo e das pitangas
das missangas
cravejando peles escuras
descalças no cafezal
a brancura do sisal
do algodão em flor
zarcão dos poentes sobre o cais
dourada das fogueiras nos quintais
rubra das acácias nos umbrais
o verde dançante das palmas
entre areias e céu em tardes calmas
anil do mar ao sol do meio-dia
à noite envolto em ardentia
levei na memória o odor da maresia
da poeira suspensa quando não chovia
da goiaba do maboque e do caju
do suor do povo quase nu
parti
nada mais tinha para levar
a não ser a vontade de ficar
(31março2003)
(Um lugar para a Fábrica de Letras)


Toda a gente fala dessa terra vermelha... só eu é que nunca fui lá....
ResponderExcluirLindo! Uma verdadeira ode! Parabéns!
ResponderExcluirEu nasci nessas terras e sinto, dentro de mim, um buraquinho. Adorei este hino. Beijinhos
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