ALVA
Mais um rio com destino e direcção
filho arrevesado da serra
gatinhando do seio da terra
saltas barreiras
roças as eiras
do povo, ficas-lhe no coração
porque partes sempre, decidido
rumo ao teu destino
final...
Há peixes que te inventam o inverso
subindo-te no dorso, ao contrário,
ousar adverso que o rasto das folhas que te acompanham
desce contigo
à tua velocidade
lambendo aldeias sem idade...
Parei aqui vendo-te correr
sobrevoando cascatas naturais
guiado entre muros reais
que os homens inventaram
para te conter...
Quantos sonhos não transportas,
quanta sede libertaste,
quantos bichos alimentaste
quanto pão ajudaste a cozer...
Estou na Ponte das 3 Entradas,
eu quieto, tu fluindo,
impávido no teu fluir...
Aqui como noutras terras
ao longo destas serras
estendem rochas
inventam barreiras
por forma a fazer-te abrandar
e contemplar...
Olho-te por trás da roda das 3 cordas
berço de folhas caídas
e algodão de neve do céu,
que as árvores te oferecem
ao passar, devagar...
Deslizas por cima do tempo,
irmão do vento
e nem chegas ao mar!
Também tens como fado
o eterno recomeçar...
António Parracho
(12/06/04)
quarta-feira, janeiro 06, 2010
Alva - Ponte das Três Entradas
Assinar:
Postar comentários (Atom)
-
Tenho a noite de silêncios preenchida: o da chuva que não cai, o da cidade ora adormecida e o do vento que não passa, sibilante; tenho...
-
arco-íris em mil pedaços entre espelhos pedrarias preciosas danças transitórias imagens radiosas chuva de safiras pétalas de rosas viol...

Nenhum comentário:
Postar um comentário