Festejo a beleza do momento
de te ver partir
em rajadas de descontentamento
e eu, a dançar e a sorrir,
celebro a ausência do medo
de te ter por perto
como quando outrora, em segredo,
vinhas encoberto,
sentia-te fincado a meu lado
como um carcereiro,
remoías-me, calado,
sorrateiro,
esgarçavas-me a alegria,
desatando-me o pranto a toda a hora,
como hemorragia
que não ia embora,
não estancava ...
Meu amo e senhor fizeste por ser
e que de ti me fizesse eu submissa escrava
de agrilhoada alma, sem luz merecer;
quiseste ser meu tudo e que eu fosse nada
para me veres esmorecer
à escuridão da cela aprisionada;
quiseste,
eu não te quis
nem quero tudo o que me deste;
posso vaguear dentro do tempo, feliz,
tanger todos os instrumentos da orquestra
da Vida e celebrar a tua ausência definitiva;
o teu poder, Desespero, não me sequestra,
não sou tua nem serei de ti cativa!
(17setembro2003)
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Celebração
(Isadora Duncan)
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