Foi árvore em outros tempos,
frondosa, de verde copa,
resistiu a chuvas e ventos,
então derrubada, foi tora.
Em plantação a perder de vista
foi sisal – de brancura retorcida,
entre dedos de artista –
a corda-fio condutor da vida.
Foi arco-íris em seu trajar de cetim,
cada cor para um retalho,
em suas noites de arlequim,
dançando sem tocar o soalho.
Em vestes de negro atroz,
encarnou a dor e a morte,
manipulada por seu algoz
maldisse seus dias e sua sorte.
Jaz, hoje, corpo desarticulado e nu,
embaraçado nas cordas, inerte,
na escuridão do baú,
a marionete ...

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