segunda-feira, janeiro 25, 2010

A dobra do meu lençol

Pintura de Christophe Vacher



Às vezes é de cetim
a dobra de meu lençol,
florida como um jardim
bordado com fios de sol,
onde os pontos a carmim
são pétalas, em cruz e cheio,
de aromadas flores de jasmim,
que, na penumbra, tateio.
Vez por outra é de linho
meu lençol de dobra nua,
geometria em desalinho
que se estende e recua
p’ra tão longe de meus seios
que não a toco nem a tenho
a cobrir-me inexplicáveis receios
quando, no escuro, os sustenho.
Hoje tenho-a em cambraia da mais pura
por alvíssimas rendas entremeada
a resplandecer na noite escura
como se de estrelas estivesse cravejada ...
E enlaça-se-me ela, com tal brandura,
roçando-me as mãos, o peito e a face,
que me transforma a calada raiva em ternura
e então, serenamente, o sono nasce ...


(06outubro2003)

3 comentários:

  1. Belíssimo!Estás de parabéns.abçs

    ResponderExcluir
  2. Gostei. A ternura nas bordas de lençol que nos envolve na escuridão e relaxa... devolvendo-nos a paz necessária ao sono. Original. :) beijo

    ResponderExcluir

Poema