quarta-feira, dezembro 30, 2009

A outra Lianor


(Runway: Aurore de la Morinerie)


Descalça vai pera a fonte
Lianor, pela verdura;
vai fermosa e não segura.
Camões

Chita na prega do vestido
Laço de puída seda no cabelo
Vai Lianor tão sem sentido
Trilhando a vida, sem apelo

Contornam-lhe as mãos a destreza
Com que contorna o destino
Das fontes de tanta rudeza
Jorrando em seu corpo libertino

Calça em seus pés a rotina
Dos caminhos de aspereza
A cada dia, em cada esquina
Vai perdendo viço e beleza

Descoberta d’amor
Pela rua d’amargura
Vem Lianor ...
Tão segura !


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Poema