segunda-feira, junho 06, 2011

Vento

Pintura de Carel Huls




Vento
 
 
Sopra tão subtilmente
esse vento que não mente
vindo do outro lado do vale,
sibilante, pede que me cale
para senti-lo passar
sem ter nada p’ra levar
nem o sonho mais devasso
nem o dito por acaso
nem as promessas de amor
que se fizeram rancor
por se não terem cumprido ...
corre assim, desprevenido,
esse vento sem destino
sem saber que o desatino
de quem ele afaga o rosto
nada mais é que o desgosto
de quem com ele não pode ir
de quem não consegue partir,
incapaz de também ser aragem,
de ousar e ter coragem
de romper fronteiras
de derrubar barreiras
de estender a mão
e na imensidão
uma paixão agarrar
ainda que seja a sonhar ...
 
 

(22dezembro2003)
 
 
 
 
 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Poema