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| Foto de Alexandra Henriques - olhares.com |
Chuva em cima duma vaca
Longa fora a estiagem
De muitos e muitos meses
A queimar toda a pastagem
E a dizimar as outras reses
Com corpo esquálido
E úberes ressequidos
Arrastava-se, no campo cálido,
A solitária vaca, aos mugidos
Ia pisando, assim, o pasto
Carregando, da fome, o peso
Sob as patas o capim gasto
Acima dela o sol severo e aceso
Chuva que não vinha
Para sua salvação
E tudo o que a vaca tinha
Derramou-o pelo chão
Foram lágrimas de esperança
Que a terra seca bebia
E não havia mudança
A vegetação não nascia
Aos poucos a vaca desfalecia
Sentia que a vida se lhe esgueirava
Antes da tempestade veio a ventania
A terra, o sol já não queimava
Não tinha sido esforço vão
A vaca solitária renascia
Brotava a erva do chão
Em cima dela a chuva caía
(07março2007)

Nossa intimidade com a água ultrapassa todo entendimento. A água está na fonte da vida, determina nosso tempo aqui no planeta.
ResponderExcluirTristinha tua história, mas é do tamanho que dói viver. É real.
Gostei muito.
Beijos.
Ricardo
UM POEMA MUITO POÉTICO QUE CHEIRA A CHUVA, A VACA SOLITÁRIA...E A DRAMA !
ResponderExcluirGOSTEI MUITO
Ao ler o teu poema pareceu-me estar a reencontrar o mestre do real, do real atroz, campestre, difícil.
ResponderExcluirFizeste-me relembrar Cesário Verde.
Gostei muito.
é o renascer... muito bom...
ResponderExcluireu também participei,
saudações otárias!
Triste mas com "final feliz".
ResponderExcluirMais um (teu) belo poema.