| Boavista, Cabo Verde - Foto retirada da Net |
A Daniel Filipe, poeta cabo-verdiano
Da tua inóspita e pequena ilha, onde não chovia
e, porém, enorme, do tamanho do medo da solidão da angústia,
com um mar de pobreza e de injustiça a rodeá-la,
partiste, um dia ...
Também tu, como os amantes, tinhas olhos e coração e fome de ternura,
e, antes que fosse tarde,
com urgência,
da Invenção do Amor foste capaz ...
Ousaste dar as mãos à esperança e à doçura,
e pediste que ao mundo não fosse recusada a paz
deram-te, sem tardança,
os ferros de uma cela e toda a dor da tortura ...
Em chão estrangeiro, onde secura não havia,
tinha cheiro indelével a tua saudade pela ilha
tinha cheiro a chuva que caía
e era este um cheiro tão forte ....
Era chuva com cheiro a exílio,
a sofrimento e morte ...
(05outubro2010)
(Também para a Fábrica de Letras -
Tema de Outubro: "O Cheiro da Chuva")
Tema de Outubro: "O Cheiro da Chuva")
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