(Pintura de Santiago Carbonell)
Sei das minhas palavras presas,
sem o brilho argênteo de relíquias,
que a buril gravei entre as asperezas
das paredes frias de meus dias.
Sei da vontade imensa de escondê-las,
emparedá-las para que não as vejam,
vesti-las - como eu - de burel e assim mantê-las
amargas e reclusas p´ra que só minhas sejam.
Sei daquelas que calo e não digo,
que ao amarelecido do papel não lanço
porque junto delas - cautelosa - me abrigo
quando de muitas, ardilosas, me desvio e canso.
Sei de tantas outras que também se prendem
ao silêncio - pronunciadas que são com os ollhos -
que no vermelho céu de minha boca se perdem
como aves feridas arremessadas aos escolhos.
Sei de muitas mais, como estas que ora falo,
sem eco, como estampidos secos, e sem história,
que, assim de tão magoadas e de apagado halo,
até rejeitadas serão pelas escusas frestas da memória.
(28dezembro2003)

As palavras são as nossas companheiras do sentir: o eu dá~se a conhecer em forma de poema e de outras formas artísticas. Daí o asombro para quem não é poeta!
ResponderExcluirParabéns.
Lindo, o seu poema! Quantas vezes calamos palavras que os nosso olhos teimam em gritar!Mas magoamo-nos quando as calamos e alguém assume o papel de intérprete,violando o sentido dessas pavras-não ditas.
ResponderExcluirAs palavras acabam por ter sempre eco, mais tarde ou mais cedo, por isso vale a pena proferi-las
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