(Pintura de Virgil Elliot)
Viajas pensamento,passageiro clandestino,agarrado ao vento...Adivinho o teu destino;vais com pressa desmedida,estilhaçando à rotina as vidraçaspara alcançares o meu ponto de partidatão distante das hostis praçasdesta cidade nauseantecom seu alto mar de pedra lisae de multidão que, em asfalto abrasante,me sufoca e pisa ...Desprendes-te destas longas avenidase de suas transversais de medo,vais além dos subúrbios onde humildes vidassão podadas muito cedo.Distancias-te dos viadutos cinzentos,entrelaçados como pulsos algemados,e dos rios estagnando, pardacentos,esquecidos, semimortos e esmagados.Afastas-te – és livre, só tu podes sair –só teus, pensamento, são os céus e os oceanose o poder de reconstruira casa de minha infância, demolida há tantos anos,a estreita alameda arborizada de paz– meu chão pisado com leveza até à escola –só tu, pensamento, és capazde devolver ao meu ombro a sacolada merenda de então– sonhos recheados de delicadeza e ideais –e algum pão...Percorres caminhos coloridos e irreais ...E eu, ainda com as mãos de luas cheias,em quartos,colhidas nas noites em que longe de mim vagueiase de imagens fazes meus olhos fartos,sei que também posso voltar contigoao meu ponto iniciale lá encontrar abrigoafinal ...
11fevereiro2004

" Não há machado que corte a raiz ao pensamento!"
ResponderExcluirMuito belo!
#O poema é liberdade" porque as viagens são intermináveis.
ResponderExcluirBela participação poética!
Que maravilhoa!um abraço,chica
ResponderExcluirAs imagens e as andanças do pensamento transformam o ser humano em um grande vaijante; o maior deles. Não há limites para sensações, prazeres e dores.
ResponderExcluirLindo poema, GB.
Aqui, como sempre.
Abraço.
Ricardo
– sonhos recheados de delicadeza e ideais –
ResponderExcluire algum pão...
Lindo poema! ;D
Adorei o jogo de palavras!
ResponderExcluirLindo!