segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Exílio - Saudade de mim

 

São as de outrora
as casas, as ruas e os becos;
iguais aos de antes,
as angústias, os prantos e os medos;
são os mesmos e sempre tantos
os ritmos e os cantos,
os encantos,
os acalantos;
ainda lá habitam os vermelhos
do sangue e da terra,
os dos últimos raios de sol
entornados sobre o mar
da baía e das praias do farol
de areias velhas e brancas
de onde partem os dongos
em noites de aragens brandas
e de luares antigos
a esculpirem sombras dançantes
das esguias casuarinas ...
São hoje, como eram antes,
os sabores de gajaja e tamarindo,
as cores vivas do céu, do capim
e das acácias florindo ...
És como sempre foste, Luanda.
Tu ficaste, eu parti.
Saudade tenho de mim,
de como fui enquanto te percorri.


(02setembro2003)

5 comentários:

  1. Belo poema... bela foto... e que belas recordações devem ser as que deixam saudades de Luanda... e de quem eras... :)

    ResponderExcluir
  2. Quanta saudade deste pôr-do-sol!
    Posso levar a foto e publicá-la no meu blog juntamente com o poema? Dando os créditos, naturalmente!
    Se autorizar, como assinar o poema? gb, maria margarida?
    Um abraço

    ResponderExcluir
  3. GB não sei escrever poesia mas esta tua saudade está divinal e retrata bem o que África nos deixou e que nunca mais morrerá, por mais continentes que conheçamos. Angola, Moçambique, tanto faz,marcaram, para sempre, a vida de quem lá nasceu, lá viveu e teve que partir. Obrigada por teres visitado o meu blog. Dei uma vista de olhos no teu e achei excelente. Não tenho tido muito tempo livre mas este será um blog que visitarei sempre que tiver oportunidade. Beijinhos

    ResponderExcluir
  4. GB Não tenho saudade de mim, tenho saudade de tudo que aquela terra me deu, da parecença que eu tenho com ela, daquela singeleza que me apaixona, daquela gente simples, daquela vida em liberdade, daquela vida real, sem aparências, do ser que ela transmitia e que felizmente ainda permanece em mim.Nunca me senti Portuguesa, sempre Moçambicana. Tu que estiveste lá sabes o que significa esse sentir.

    ResponderExcluir
  5. GB és capaz de ter razão, nós mudámos, não temos aquela pureza que tínhamos, vim de lá com dez anos e o país, as pessoas também mudaram, passaram por muitas privações mas, quem lá foi notou que a humildade não desapareceu nos nativos. Algo que sinto falta aqui. Quem sabe ficaria decepcionada? Talvez mas a vontade é mais forte que tudo e já pensei muitas vezes voltar para ficar lá a viver. Aquele é o meu país, foi lá que fui feliz e é com aquele povo que me identifico. Talvez pense assim por ter vindo muito nova, talvez. Sonho com aquilo, imensas vezes. Beijinhos

    ResponderExcluir

Poema