quarta-feira, dezembro 14, 2005

Cá está

Este não é um dos de Cherbourg, tão pouco tem impresso nome de marca famosa. É apenas mais um, e todo roto, quase esfacelado. Assim deveriam ser todos eles, sempre que chovesse poesia, para que não houvesse jeito de não sermos por ela tocados. Quem disse que o guarda chuva é objecto inútil? É nada, mesmo que esteja roto.


CHAPÉU DE CHUVA ROTO


Era noite e fui por aí à toa,

Como é meu hábito.

Tinha preso num blusão

acostumado às passeatas para lado nenhum,

um daqueles chapéus de chuva

que não tapam chuva nenhuma

nem destapam...

Tinha um cabo grande

Daqueles de madeira trabalhada

Que já quase não há,

mas o pano estava roto

nem os pingos grossos enganava...

Que a chuva vem quando calha

molha e pinga qualquer bem falante

ou canalha

mas é molhada

penetra onde não devia

humedece o que não se queria

adensando-se nos velhos panos

fragilmente encostados às varetas

que são o seu suporte de conjunto.

É pior quando ela vem do lado do vento

Sem alento...

Aí não há sustento

Nem um sussuro dum lamento

Nem um raio dum chapéu

a faz deixar o céu!!!



AP 10/12/05

Um comentário:

  1. talvez este te faça recordar o quanro errada estavas..., escreve sempre e bom Natal! AP 16/12/05

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    -Os meus poemas-


    Rasgam-me a carne
    e nascem, como crianças,
    lavados em lágrimas, suor e sangue,
    os meus poemas,
    tão frágeis e indefesos!
    Separo-os de mim,
    corto-lhes os cordões umbilicais,
    deles serão os gritos que são meus,
    suas, as minhas lágrimas em caudais
    e o meu sangue.
    Vejo-os crescer e partir,
    itinirantes,
    enormes e tão pequenos,
    os singelos e os arrogantes,
    os infantis e os obscenos.
    Germinaram em meu âmago,
    e mesmo afastados, sei-os meus;
    se parir é muito mais que padecimento,
    é sublime acto de amor incontido,
    quisera eu, por um só momento,
    sem dor nem sofrimento, tê-los parido.


    antonia
    7outubro2003

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Poema