Quando pão não havia
- e se havia era pouco -
Quando não era o vinho bastante
Para embriagar a fome,
Sentávamo-nos à mesa
E repartíamos migalhas.
Tempo de medo e de incerteza.
Tempo de guerra!
Povo em fuga, destroçado,
A manchar de vermelho a terra.
Quando já nem migalhas havia
Para repartir,
Ainda assim sentávamo-nos à mesa,
Deixávamos o Sonho afluir,
Dizíamos não à tristeza
E alimentávamo-nos de Esperança.
(10fevereiro2008)
(tb aqui)

Lindo! Um dia-a-dia vivido, sofrido, sentido. O tempo sente-se passar mais porque falta tudo, tanto... menos a esperança! Mas até quando?
ResponderExcluirBjs
A mesa vazia... uma das imagem em tempo de guerra.
ResponderExcluirContavam os meus avós que passaram por este tempo, nem sei se teriam o vinho para lhes enganar a fome...
É aterrador saber que hoje, cada vez mais as mesas dos portugueses estão vazias...
um beijinho gb
Pratos vazios numa mesa cheia de sonho e esperança, porque por maior que seja a dor teimamos em acreditar que um dia ela passa. A imagem escolhida para ilustrar o texto é excelente. :)
ResponderExcluirGB,
ResponderExcluirmuito tocante teu poema; de uma profundidade sem limites; tudo muito à flor das frases, para fácil colheita.
Lindo.
Levo algo comigo.
Beijos.
Ricardo
A esperança é um bom alimento para o vazio. kiss
ResponderExcluirJá vi esse tempo mais longe...
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