terça-feira, abril 20, 2010

Mesa vazia





Quando pão não havia
- e se havia era pouco -
Quando não era o vinho bastante
Para embriagar a fome,
Sentávamo-nos à mesa
E repartíamos migalhas.
Tempo de medo e de incerteza.
Tempo de guerra!
Povo em fuga, destroçado,
A manchar de vermelho a terra.
Quando já nem migalhas havia
Para repartir,
Ainda assim sentávamo-nos à mesa,
Deixávamos o Sonho afluir,
Dizíamos não à tristeza
E alimentávamo-nos de Esperança.



(10fevereiro2008)


(tb aqui)

6 comentários:

  1. Lindo! Um dia-a-dia vivido, sofrido, sentido. O tempo sente-se passar mais porque falta tudo, tanto... menos a esperança! Mas até quando?

    Bjs

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  2. A mesa vazia... uma das imagem em tempo de guerra.
    Contavam os meus avós que passaram por este tempo, nem sei se teriam o vinho para lhes enganar a fome...

    É aterrador saber que hoje, cada vez mais as mesas dos portugueses estão vazias...

    um beijinho gb

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  3. Pratos vazios numa mesa cheia de sonho e esperança, porque por maior que seja a dor teimamos em acreditar que um dia ela passa. A imagem escolhida para ilustrar o texto é excelente. :)

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  4. GB,
    muito tocante teu poema; de uma profundidade sem limites; tudo muito à flor das frases, para fácil colheita.

    Lindo.
    Levo algo comigo.

    Beijos.
    Ricardo

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  5. A esperança é um bom alimento para o vazio. kiss

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Poema