(Santiago Carbonell)
Cansado de letras tristes não me permitiu, o meu teclado, que circulasse eu, mais uma vez, em ambientes proletários e coisa e tal e intimou-me: ou mudas o tom, ou faço greve. E fez:
o A amuou
o B barafustou
o C calou-se
o D demitiu-se
o E escondeu-se
o F fugiu
o G gaguejou
o H hibernou
o I irou-se
o J jubilou-se
o L laconizou
o M marimbou-se
o N nauseou-se
o O opugnou
o P polemizou
o Q questionou
o R rebelou-se
o S surdeou
o T troçou
o U ufanou
o V vaiou
o X xingou
o Z zombou
E nada consegui escrever. Assim, humilhada que fui, perdi o pio, calei-me e nada escrevi. Fiquei a pensar na morte da bezerra, envolta num silêncio sepulcral quebrado, daí a instantes, por uma sonora gargalhada de escárnio. Era ele, o dito, surrupiando-me o sossego: oh minha asna, então queres falar lá na tal Fábrica de Letras e Palavras? O tema em andamento é O Silêncio e, que eu saiba, nenhuma palavra escrita tem som. Lá "escreve-se" e não se "fala". Usa aí a tecla Delete, a única que não fez greve, e apaga-me esta merda toda.
Não apago. Num futuro próximo, quiçá ...
Sempre é melhor que vão para estas fábricas brincar do que para as outras... imagina os torneiros e serralheiros mecânicos a brincar com os seus aparelhos e máquinas!
ResponderExcluirBem tu pelo menos não perdes-te o pio completamente, ainda saiu qualquer coisa e saiu a proposito do silêncio, no fundo silêncio é silêncio... Gostei, está alegre e divertido, fazia cá falta na fabrica.
ResponderExcluiré com esta brincadeira mensal da fábrica que tive o prazer de ler esta tua participação. Era bom que o trabalho de todos os operários neste país fosse abertamente analisado, como é na fábrica. Facilmente descobriríamos quem merecia o ordenado que ganhava.
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