terça-feira, abril 24, 2012

Abril desfeito








Vestido de vermelho vivo
sem choro nem aceno
foi-se abril
levado com a aura
da manhã gentil
pelas morenas vilas
searas e castelos
enfeitados de bandeiras
foices e martelos

Fizeram-se antigas as cantigas
e velhos ficaram todos os cravos
esquecidos pelo chão
sob os pés do tempo
e dos covardes
desfizeram-se em poeira as vaidades
caíram dos bravos
as medalhas em roldão

E se voltar abril por um momento
ainda que seja agosto
e não sopre o brando vento
saberá ele com desgosto
que foi inútil tanta luta
ela – Liberdade – só em pensamento
voa indelével e absoluta

abril/2003





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Poema