Vestido
de vermelho vivo
sem
choro nem aceno
foi-se
abril
levado
com a aura
da
manhã gentil
pelas
morenas vilas
searas
e castelos
enfeitados
de bandeiras
foices
e martelos
Fizeram-se
antigas as cantigas
e
velhos ficaram todos os cravos
esquecidos
pelo chão
sob
os pés do tempo
e
dos covardes
desfizeram-se
em poeira as vaidades
caíram
dos bravos
as
medalhas em roldão
E
se voltar abril por um momento
ainda
que seja agosto
e
não sopre o brando vento
saberá
ele com desgosto
que
foi inútil tanta luta
ela
– Liberdade – só em pensamento
voa
indelével e absoluta
abril/2003
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