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| Pintura de Pascal Chôve |
Se vieres
Quando vieres
não te anuncies,
vai entrando devagarinho,
preenche-me a alma
e o sorriso, de mansinho;
põe-me brilho de luar
nos revoltos cabelos,
desentristece-me o olhar;
vem sem atropelos!
Toca-me de leve, sem receio
e vai tomando conta de mim
por inteiro
num crescer sem fim;
corre em meu seio,
nas minhas veias
como se rio fosses
de águas cheias
de árias,
de murmúrios;
vem sem aviso de hora,
seja em amena tarde
seja em tempestuosa noite,
seja ao romper da aurora;
mas vem
sem demora;
reaviva-me a memória
pois já nem sei
se por mim passaste um dia
e descuidadamente te perdi,
te arredei
e me arrependi,
ou se em mim estiveste sempre
e ao querer-te mais e mais
nem te pressenti ...
Felicidade, sem desespero nem ais
quando vieres e não der por ti,
deixa os teus sinais.
(03julho2003)
Penso que é difícil não darmos por ela :)O que acontece é percebermos que até nem eramos tão infelizes como isso... Muito bem ritmado como sempre. beijo
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