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| Ben Goossens |
Poeta
Vens de longe, poeta,
passeias sobre areias transparentes
e sem rumo e sem meta
maldizes e não consentes
o viver senão p’ra amar
a vida-arte de poderes fazer
da imerecida dor que em ti quer ficar
o contorno da mulher-palavra a resplandecer;
vens de longe, menestrel,
das noites inquietas junto ao mar,
onde esculpiste com imaginário cinzel
teus sonhos ainda por sonhar;
cantas o oceano de rebeldia que te invade
e dá-te forma de onda alta e resistente
que se espraia clamando a liberdade
da palavra-gesto mordaz e irreverente;
é teu pranto silencioso e incolor
em fio de lágrimas magoado e triste
se sentes que à criança lhe quer fugir o amor
e a esperança de tê-lo também não mais existe.
Vai, escreve o teu caminho e diz
que a tua palavra-alma é leve e não desiste
de cantar que ser poeta é ser livre e ser feliz.
(30julho2003)
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