segunda-feira, maio 02, 2011

Os meus poemas

Mother and Child - Gustav Klimt



Rasgam-me a carne
e nascem, como crianças,
lavados em lágrimas, suor e sangue,
os meus poemas,
tão frágeis e indefesos!
Separo-os de mim,
corto-lhes os cordões umbilicais,
deles serão os gritos que são meus,
suas, as minhas lágrimas em caudais
e o meu sangue.
Vejo-os crescer e partir,
itinerantes,
enormes e tão pequenos,
os singelos e os arrogantes,
os infantis e os obscenos.
Germinaram em meu âmago,
e mesmo afastados, sei-os meus;
se parir é muito mais que padecimento,
é sublime acto de amor incontido,
quisera eu, por um só momento,
sem dor nem sofrimento, tê-los parido.



(07outubro2003)
(tb na Fábrica




5 comentários:

  1. Gosto muito do klimt!bela imagem para ilustrar um belíssimo poema. Parabéns. E gostei muito desta participação original, para a fábrica. Raramente escrevo poesia (até porque não tenho jeito algum), mas já em outros textos sinto essa dor de os parir e ver afastar... que fará na poesia :)Beijo

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  2. Uma abordagem diferente do tema, mas muito bonita!
    Gostei!

    Beijo!

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  3. É sempre um enorme prazer ler as tuas participações na Fábrica... Mais uma vez, gostei imenso! E que linda comparação, a do poeta com a mãe...!

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  4. Olá
    Gosti muito dos tipos de filhos que a mãe não se arrepende de ter gerado...
    Abraços fraternais

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Poema