(Pescador III, Fernando Lyra - olhares.com)
Luz mortiça
Do dia que se vai
Luz outra que enfeitiça
Traz a lua, assim que a noite cai.
Passa brandamente o vento e pronuncia
As palavras no céu desenhadas
E, tirando o véu à escuridão, anuncia
Que foram as nuvens p’ra longe afastadas.
Manto estendido, estrelado,
Tapete de sal e ardentia
Parte o pescador pelo luar enfeitiçado
Ávido por boa e farta pescaria.
Faz-se afoitamente ao mar
Em barquinho imaginário
Para a sua arte de pescar
Só o sonho é necessário.
Linha amarrada ao pensamento,
Na outra ponta, de três bicos, o anzol
Isca farta de mais puro sentimento,
É a paixão que o guia – seu farol.
De fios de ideais é a sua rede,
Foram os arpões deixados em terra,
Não é de sangue sua sede:
É de amar e de amor a sua guerra.
Regressa à praia o pescador de estrelas
Na noite de luz rara, como há poucas;
Espanta-se, depois de tocá-las e vê-las:
São tantas! não do mar e sim das outras ...
(22fevereiro2004)
(também nesta Fábrica)

GB,
ResponderExcluirgosto dessa junção de elementos: mar, pescador, céu e estrelas. São grandezas que carregam em si muito da poesia que há no mundo.
Seu texto é muito rico de imagens; algumas delas são tão nítidas que podemos tocá-las; tão sonoras que nos ficam guardadas; repetindo, repetindo, como um suave mantra.
Lindo.
Ricardo.
Noite perfeita para a paixão...
ResponderExcluirNoite de luar
Noite de estrelas
O mar
e o sonho de algo mais!