segunda-feira, julho 04, 2011

Eu e o vento

Pintura de Joanna Sierko-Filipowska




Caminho descalça dentro da noite,
Por companheiro tenho o vento
Para afagar-me em seu açoite,
Impelir-me e dar-me alento.
“Continua!” Diz-me ele em segredo,
“Ainda é a manhã de ti distante,
Sublima tua mágoa e teu medo,
Faz das vis trevas luz irradiante!”
Ao escutá-lo assim tão aliciente,
Serro as grades ao silêncio demorado,
Canto a esperança em mim presente
E seco os olhos que tanto têm chorado;
Prossigo na caminhada, consciente
Que são as asas do vento que me têm levado.
 

(09setembro2003)



3 comentários:

  1. Sempre que surge um poema, parece que nos dizemos mais e que quem lê, lê para além do escrito.
    O vento a ser o móbil da vida, do movimento, da esperança dita em segredo é uma belíssima metáfora e imagem.

    :-)

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  2. Adorei a imagem e o poema, parabéns por este espacinho fantástico!

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  3. Que lindo poema! Caminhar descalça é das melhores coisas do mundo! =)

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Poema