O primeiro tango em Paris
- Duzentas palavras.
- Só isso?
- Somente. Como se pudéssemos contar a nossa história com apenas duzentas palavras. Precisaríamos de milhares delas. Ninguém as leria, é certo. Não há tempo. Hoje tudo é breve. São rápidas as dores e as alegrias, como os amores. Muitos, de tão céleres, duram apenas uma noite, ou meia …
- As palavras estão a esgotar-se. E se lhes contasses como tudo começou?
- Queres que lhes conte sobre o nosso primeiro tango em Paris? Foi o que melhor dançámos até hoje, acredita, porque descobrimos, naquele momento, que nos amávamos. E fomos ovacionados. Os espectadores, de pé, aclamaram não a nossa dança, não o som puro do bandoneón, não a nossa beleza física. O público aplaudiu o nosso amor espalhado pelo palco. E depois, noite adentro, dançámos, só para nós, pelas ruas já aquietadas de Montparnasse. Celebrámos a nossa descoberta e a lua de agosto viu-nos e iluminou-nos os passos.
- Estavas tão bonita, de vermelho. Mas gosto muito mais da beleza que o tempo te trouxe … assim, à janela ante a noite, com esse papel na mão … contas as palavras?
- Não, conto as estrelas …
- Só isso?
- Somente. Como se pudéssemos contar a nossa história com apenas duzentas palavras. Precisaríamos de milhares delas. Ninguém as leria, é certo. Não há tempo. Hoje tudo é breve. São rápidas as dores e as alegrias, como os amores. Muitos, de tão céleres, duram apenas uma noite, ou meia …
- As palavras estão a esgotar-se. E se lhes contasses como tudo começou?
- Queres que lhes conte sobre o nosso primeiro tango em Paris? Foi o que melhor dançámos até hoje, acredita, porque descobrimos, naquele momento, que nos amávamos. E fomos ovacionados. Os espectadores, de pé, aclamaram não a nossa dança, não o som puro do bandoneón, não a nossa beleza física. O público aplaudiu o nosso amor espalhado pelo palco. E depois, noite adentro, dançámos, só para nós, pelas ruas já aquietadas de Montparnasse. Celebrámos a nossa descoberta e a lua de agosto viu-nos e iluminou-nos os passos.
- Estavas tão bonita, de vermelho. Mas gosto muito mais da beleza que o tempo te trouxe … assim, à janela ante a noite, com esse papel na mão … contas as palavras?
- Não, conto as estrelas …
(Mini-conto com, no máximo, 200 palavras, para o blog da Companhia das Letras, "Conte uma História de Amor")
- também na Fábrica de Letras -

Sutil e belo!parabéns.abçs
ResponderExcluir:)) Gostei! beijinho
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