quarta-feira, agosto 18, 2010

Palavras irrepresáveis











desprendem-se as palavras 
 das algemas do medo de dizer 
 avançam linhas  
excedem margens  
preenchem a brancura do papel 
 com a escuridão lúcida do risco  
entrelaçam seus desenhos 
 repetem-se 
 escorrem como seiva  
em planta exuberantemente viva  
separam-se sem se dispersarem  
alongam-se como rios  
encostam-se aos pontos de exclamação  
ou de interrogação? 
 diluem-se reticentemente ...  
esgueiram-se entre vírgulas curvilíneas  
mudam de rumo 
 reencontram-se 
 amarram o sentido  
convergem para um ponto final 
 terminam a viagem 
 calam-se em silêncio que arrepia  
para verem nascer uma poesia











 (06junho2004) 


Um comentário:

Poema